YOKO ONO EM SÃO PAULO -

Acima - YOKO e KEKO
 

Depoimento de KEKO BRANDÃO - TECLADISTA
KEKO BRANDÃO, foi o tecladista brasileiro convidado a tocar com YOKO
no show do Theatro Municipal e abaixo ele faz um depoimento importante,
e muito interessante, além de mostrar a emoção e o respeito em tocar com
uma das pessoas mais importantes do "cenário underground mundial"
e como ele mesmo diz -  esposa de -
Ninguém mais, ninguém menos do que John Lennon.

Domingo -  dia 04/11/2007 - eu recebi um telefonema do pianista Lélo Nazário
para realizar essa performance com Miss Yoko Ono.
Ele foi convidado primeiramente, pela engenheira de Som Flávia Calabi,
mas, como ele estava indisponível no momento, me indicou como
profissional para substituí.lo.
Segunda feira, 05/11 -  eu fui ao Hotel Fasano, na hora
do almoço para conhecer pessoalmente Miss Yoko
Ono. Foi um encontro formal, mas ela foi bastante
agradável comigo, me mostrando pessoalmente os
tracks que fariam parte da performance dela aqui no
Brasil. Na verdade uma retrospectiva de suas
exposições, no espaço cultural Banco do Brasil, que
culmina numa performance no Theatro Municipal da cidade de São Paulo.
Ouvimos as músicas, uma a uma, e Yoko foi me
dando detalhes do que ela gostaria exatamente que eu
fizesse com meus teclados. Ela pediu sons
sintetizados e simulações de instrumentos acústicos, como o Piano, por exemplo.
Na saída me disse algo muito interessante:
Ela não queria que eu me comportasse como um mero acompanhante musical,
mas sim, que eu me portasse como um músico na
íntegra, para que ela pudesse mostrar à todas as
pessoas o talento do músico brasileiro.

Fiquei muito surpreso com esse comentário dela.
No dia seguinte, terça feira, dia 06, tivemos um ensaio
Geral no Theatro Municipal, e nos reunimos num
quinteto, Piano e 4 percussões, somados à voz de Yoko.
Durante o ensaio, pontuamos algumas performances corporais de Yoko,
com efeitos e atmosferas musicas, e depois passamos as músicas
propriamente ditas. O ensaio foi bem agradável, e
Yoko demonstrou bastante satisfação pelo resultado
sonoro resultante dessa combinação.
No dia 07, eu fui novamente ao Hotel Fasano, para
outro encontro com Yoko, para tirarmos algumas
dúvidas de Harmonias e entradas de algumas
músicas. Somente eu e Yoko. Ela me pediu para no
final do show improvisar um clima meio Jazziado,
simulando uma trilha de streaper, para ela saltitar
trajando plumas brancas e um chapéu branco.
Depois disso ela mudou de idéia, e me pediu para emendar à
esse clima mais americanizado, um ritmo tipicamente
brasileiro. Dessa forma, ela colaria à sua primeira
coreografia, uma outra, mais abrasileirada, para ela
poder simular passos de samba, e assim
homenagear esse encontro de duas nações diferentes.
Fizemos isso, e o resultado ficou, no mínimo, inusitado.
Depois disso, Yoko optou por encerrarmos o ensaio,
pois ela não estava muito bem da garganta reclamou
de um certo desconforto nessa região e demonstrou
uma certa preocupação com a estréia de amanha, por conta desse "resfriado".
De passagem, eu disse à ela que conhecia um xarope Chinês, extremamente
eficiente para esses casos de dor de garganta + Resfriado: Chama.se "Pei Pa koa".
Ela ficou interessadíssima e me pediu pra anotar o nome em
um pedaço de papel, para ela pedir ao Concierge do hotel para providenciar.
Eu completei minha recomendação com uma observação de que esse
xarope poderia ser encontrado no bairro da Liberdade,
porém em um lugar meio complicado,  escondido para
os olhos simplesmente passantes. Foi aí que eu me
ofereci para ir pessoalmente comprar o Xarope para ela.
Ela demonstrou profunda gratidão e pediu à sua
assistente que me desse o dinheiro para que eu pudesse realizar tal feito.
Foi o que eu fiz na seqüência ... E lá fui eu, em direção à Liberdade (bairro de São Paulo),
quem diria, comprar um xarope para melhorar o resfriado da viúva de John Lennon.
No mínimo uma história para contar aos meus netos... rsr.....

O show no dia seguinte, dia 08, foi um pouco menos empolgado
do que todo o aparato que o antecedeu.
Entre outras coisas ela modificou o roteiro, durante o
espetáculo, não apresentou a banda, e fez uma breve
apresentação de apenas 45 minutos.
Também não foi na passagem de som à tarde e tampouco ensaiou
suficientemente para criar números, pelo menos,
minimamente planejados. Tudo ficou muito "inseguro"
e inapropriadamente improvisado. Talvez o mais
frustrante de todo esse encontro com Yoko foi a
performance propriamente dita, na noite de estréia.
Uma pena. Mas ainda assim fica impregnado em mim
toda uma estória vivida e trazida por essa "imprevisível"
célebre viúva e artista plástica: Yoko Ono.

O que fica dessa experiência e encontro, é uma sensação
de estar diante de uma pessoa que vive intensamente cada momento.
Talvez um pouco impaciente com o mundo, mas ainda assim ela está
muito bem no alto de seus 74 anos, transborda
energia e ainda faz pequenas acrobacias no palco, em
suas performances corporais. Extremamente lúcida e ligadíssima em tudo e todos.
Não a vejo somente como uma milionária excêntrica, mas como uma
verdadeira artista, no sentido mais amplo da palavra.
E mesmo se ela não tivesse esse talento de ver as coisas sob esse ângulo
tão diferenciado, que lhe é tão peculiar, ela foi o amor de um grande Homem,
que representou muito para a música MUNDIAL.
Ninguém mais, ninguém menos do que John Lennon.

Abraços
 Keco


Acima - mais uma foto de YOKO e KEKO.